JORNAL DE VIANA

A realidade dos factos em Angola

A constatação do Presidente João Lourenço

A 5 de junho de 2024, quarta-feira última, o Presidente da República de Angola João Manuel Gonçalves Lourenço, decidiu deixar a sua poltrona palaciana, cidade alta, por algumas horas, para efectuar aquela que hoje se tornou na visita doméstica mais comentada nos bastidores de Luanda, com a imprensa a ver-se inflamada de longos textos em jornais e revistas, rádios e desfiles de “bailarinos comentaristas nas telas públicas e privadas, a exteriorizarem simplesmente o demonstrado vazio de criatividade sobre temas que exigem de toda a sociedade intelectual uma análise e poder criativo assente na proatividade de cada cidadão que se quer, “bom patriota”.

A visita do Presidente João Lourenço serviu para constatar o funcionamento dos comboios do Caminho de Ferro de Luanda no troço que liga a estação do Bungo (baixa de Luanda) ao Aeroporto Internacional Dr. António Agostinho Neto município do Icolo e Bengo.

A constatação feita pelo chefe de Estado e do executivo angolano, durante a viagem de comboio do Bungo ao Icolo e Bengo, é de ter visto com os seus próprios olhos, uma realidade social bastante preocupante com todas as causas identificadas, num misto de equações com o lado matemático a afogar-se no mar de todo o tipo de problemas. Isto é, numa linguagem clara, não há dinheiro para tantos problemas sociais que derivam do êxodo populacional de uma capital do país com quase 10 milhões de habitantes, o mesmo que nunca haverá nadador mágico para uma maré alta sobretudo quando em calemas.

É certo que o presidente João Lourenço viu todos os constrangimentos apinhados no percurso da linha férrea, onde se despontou o movimento desordenado de gente a zungar com negócios às cabeças e nas mãos, animais domésticos atravessando a linha férrea impondo um desfavorável abrandamento da marcha do comboio, tudo isso, é um misto de situações que, merecia ou merece de todos quantos gozam do estatuto de munícipes de Luanda, uma atenção colectiva, idealizando formas de estancar a poluição visual e de todos os ruídos que beliscam o sossego e bem-estar dos luandenses.

O vandalismo de bens públicos como prática de pessoas de má fé, faz parte da constatação feita pelo presidente da República tendo por sua vez lamentado na sua página oficial do facebook, sobre o que viu ao longo do percurso, dando-lhe a ideia de que a província capital onde vive, enfrenta problemas sérios que não se resolvem com exonerações de servidores públicos na administração local do Estado, vistos, muitas vezes, confrontados com pesada escassez de verbas que as circunstancias impõem, que o diga a ministra Vera Dave, a gestora de toda a “bufunfa”.

O chefe de Estado e titular do poder executivo, levou, para esta visita, um bom número de ministros que, para além do titular do sector dos transportes, há a destacar a ministra das finanças, que deve ter tomado boa nota para uma atenção maior na alocação de recursos para o governo provincial de Luanda.

A pobre visão dos nossos comentadores

Os chamados comentadores nas rádios e nas televisões públicas e privadas, deram o seu show na custa de uma visita de constatação feita pelo Presidente João Lourenço, mas que nada de concreto o público ouvinte/telespectador colheu, porque afinal, os nossos comentadores já habituaram a fazer o que não deveriam, em detrimento de uma análise das causas e não simplesmente das consequências.

Todos sabemos que Luanda é o maior centro urbano com o estatuto de capital do país, onde convergem pessoas de todos estratos sociais com culturas diferentes e cada com os seus interesses, usos, hábitos e costumes.

Nenhum dos nossos comentadores idealizou um suposto programa de desafogo da cidade de Luanda, limitando-se em coro, opinar a exoneração dos gestores dos municípios que constituem a circunscrição territorial de Luanda. Que pobre visão!

Tanta ignorância vegeta nas mentes de nossos digníssimos comentadores que se fossem tão sérios e bons patriotas, seriam os porta-vozes dos municípios onde com ajuda dos próprios administradores locais teriam matéria suficiente para comentar e transmitir aquilo que lhes vai na alma carregada da realidade que se vive.

Os comentadores deveriam ter o domínio da realidade das causas e não se apegarem nas consequências, pois, remediar não é mesmo que prevenir. Ao invés de apontarem dedos a quem que mesmo morrendo de tanto desejo e moral patriótica, continua a procurar caminhos para soluções que a todos possam beneficiar, deveriam ajudar com uma abordagem sugestiva, apontando soluções por via de programas bem estruturados com um horizonte temporal suficiente, orçamento e recursos humanos próprios.

Luanda tem um governador jovem e proativo com muita criatividade, sendo necessário devido apoio por parte dos departamentos ministeriais afins, nomeadamente finanças, ambiente, indústria e comércio, transportes entre outros. Luanda requer uma atenção especial por ser a capital da República de Angola, onde todos querem se afixar de qualquer jeito muitas vezes sem as pré-condições básicas para a própria sobrevivência.

Alternativas para o reordenamento do comércio existem. Alternativas para o desafogo da cidade, existem. Hectares de terra para uma alternativa de segunda capital, existem milhares. Embora o executivo tem vindo a erguer centralidades, seria bom que se pensasse na projeção de uma segunda capital que seria económica ou política.

O município de Viana com o estatuto não oficial de satélite da cidade de Luanda, pela sua extensão territorial e número de habitantes, seria elevado a categoria de província, o que faria sugerir uma requalificação profunda de muitos bairros construídos de forma desordenada, ao calor do movimento migratório de gente de vários pontos do continente africano, e de milhares de deslocados do interior do país, em busca de segurança num passado recente de conflito armado sem precedente.